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quinta-feira, 22 de maio de 2008

Pequenas usinas têm potencial gigantesco


Entre as diversas fontes de energia renovável, as pequenas centrais hidrelétricas, ou simplesmente PCHs, foram destaque quarta-feira (21/5), no Fórum Global de Energias. Apesar de diminutas, as PCHs apresentam vantagens inversamente proporcionais ao seu tamanho. Essas usinas foram tema da mesa-redonda intitulada “Pequenas hidrelétricas – Potenciais e oportunidades”, que reuniu especialistas de várias partes do mundo e foi moderada pelo diretor técnico-executivo da Itaipu, Antonio Otélo Cardoso.

O debate foi marcado pela convergência de opiniões e pelo intercâmbio de experiências. Estiveram presentes Mentor Poveda, representante da Organização Latino-Americana de Energia (Olade); Firmino Mucavele, diretor executivo da Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (Nepad); Arun Kumar, diretor do Centro de Alternativas em Hidroenergia da Índia; Tong Jiandong, diretor geral da Rede Internacional de Pequenas Centrais Hidrelétricas, da China; e Geraldo Lúcio Tiago Filho, secretário executivo do Centro Nacional de Referências em Pequenas Centrais Hidrelétricas (CERPCH).

Vantagens e exemplos

Todos concordaram que o papel das PCHs é complementar ao das grandes usinas, e sobre as vantagens dessa fonte de energia. Entre elas, a constatação de que, como operam a “fio d’água” (não precisam de reservatórios e são geralmente construídas em pequenos rios), apresentam ainda enorme potencial de exploração em todo o planeta. E mais: a construção pode acontecer em pouco tempo e com menor impacto ambiental; por não exigir equipamentos muito complexos, aproveitam a mão-de-obra e tecnologia local; e, principalmente, descentralizam a produção o que facilita a distribuição de energia em locais mais afastados. Entre os problemas a superar, estão as dificuldades de financiamento e a eficiência prejudicada pela variação no volume de água (em função dos pequenos ou ausentes reservatórios).

Os exemplos encantaram a platéia. Poveda fez um panorama geral da hidroeletricidade nos 16 países da Olade e apresentou modelos bem sucedidos de PCHs instaladas em comunidades totalmente isoladas, nos Andes, onde a energia dificilmente chegaria por meio de uma grande usina. Entre eles, a micro-hidrelétrica de San Antonio de Lípez, na Bolívia, que gera 25 KW e beneficia uma pequena comunidade indígena formada por 62 famílias.

Da mesma forma, Kumar e Jiandong falaram da prática indiana e chinesa, respectivamente, enquanto Mucavele (na foto à direita) ressaltou a expectativa de difundir as PCHs na África. O continente enfrenta o problema de ter o crescimento energético inferior à taxa de natalidade. Apesar do baixo consumo per capita, dispõe de recursos naturais adequados à profusão dessa fonte.

Crescimento

No mundo, as definições para caracterizar uma PCH variam muito. No Brasil, considera-se pequena hidrelétrica aquela com capacidade instalada de 1 a 30 MW e com área de reservatório menor que 3 quilômetros quadrados. Em uma escala de produção muito menor, o funcionamento básico de uma PCH é semelhante ao de uma grande usina: a água gira as pás de uma turbina conectada a geradores que produzem energia. “Apesar de ser um dos diretores da maior usina hidrelétrica do mundo, para mim é uma honra poder participar de uma discussão sobre as PCHs, pois o Brasil está entre os dez países com maior capacidade instalada nesse tipo de fonte”, disse Cardoso durante o debate. De fato, somente no Brasil há centenas de PCHs operando. E a expectativa é de crescimento rápido. Segundo o CERPCH, em fase de elaboração existem 220 projetos no País; já em análise, 268; e aprovados, esperando somente o início das obras, 247.



Fonte Itaipu Binacional

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Biocombustível não concorre com alimentos


O possível conflito entre a produção de alimentos e a geração de combustíveis renováveis – argumento utilizado para atacar as pesquisas brasileiras com o biodiesel – foi veementemente negado durante a mesa redonda que teve como tema “Bioenergia – Biocombustíveis como alternativa viável para combustíveis fósseis”, realizada na tarde de terça-feira. O debate fez parte da programação do Fórum Global de Energias Renováveis, que prossegue hoje no Hotel Bourbon Cataratas, em Foz do Iguaçu.

Para o moderador da discussão, João José de Nora Souto, secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, ao contrário do que afirmam os críticos, a plantação de mamona, dendê, girassol e algodão (algumas das principais matérias-primas do biodiesel) não concorre com a produção de alimentos.

Segundo Souto, exemplo disso será dado em breve, quando o Brasil for aumentar a sua demanda por biodiesel. “A partir do segundo semestre deste ano, o diesel derivado de petróleo terá a inclusão obrigatória de 3% de biodiesel. Em nosso território, apenas 0,6% de toda a área agricultável será utilizada para atender a esta demanda”, afirmou.

Muitos dos diagnósticos e conclusões foram amparados em previsões. Dan Arvizu, diretor do Laboratório Nacional de Energia Renovável (da sigla em inglês NREL), dos Estados Unidos, disse que “de 2005 e a 2030 haverá, no planeta, um aumento de 55% no consumo de energia.” Um quadro que, diante do aumento no preço do petróleo, exige o desenvolvimento da bioenergia. “Mas isso não será possível sem a aproximação e integração entre tecnologia, mercado e política”, avaliou. A estimativa de José Turbino, que falou em nome de José Graziano da Silva, representante para a América Latina e Caribe da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), é otimista. “Em 20 anos, os biocombustíveis devem atender a 25% da demanda global”, prevê.

Benefícios ambientais e sociais

Além dos ganhos ambientais proporcionados pelo combustível que pode se renovar, os benefícios sociais também foram ressaltados. Sobretudo pelo presidente da Associação de Produtores de Biocombustíveis da Zâmbia, Thomson Sinkala, e pelo coordenador nacional para o Desenvolvimento Sustentável de Biocombustíveis da Colômbia, Arturo Infante. “Vivemos, em nosso país, um conflito interno bastante peculiar. Os biocombustíveis têm um papel fundamental quando este problema for resolvido”, disse o colombiano. “É um combustível social que move a mudança climática”, avaliou o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles.

Sem rodeios, Dornelles foi direto ao centro da questão. “O biocombustível é a melhor alternativa ao fóssil porque promove a diversidade da matriz energética; favorece a segurança alimentar ao desenvolver a agricultura e gerar renda de modo sustentável no campo; fomenta o desenvolvimento econômico regional e nacional; e alivia os efeitos das mudanças climáticas”, afirmou.

Novamente o Brasil foi elevado à condição de modelo para o fomento da bioenergia. Dornelles apontou os exemplos praticados no País, onde “dez montadoras multinacionais produzem quase 100 modelos diferentes de veículos com tecnologia flex-fuel.” A lembrança do Proálcool também foi inevitável. “Cerca 1,2 bilhão de barris de petróleo foram economizados no Brasil em função da utilização do álcool nos últimos 30 anos”, lembrou Souto. A mesa redonda contou ainda com a participação de Helena Chum, pesquisadora da NREL.

Legislação deve fomentar energias renováveis

Os governos da América Latina devem criar normas legais para fomentar a produção e o desenvolvimento de fontes de energias renováveis. Mas as leis precisam estar em harmonia com cada país. Assim pensa o especialista Telmo Gabarain Astorqui, gerente de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina, que participou nesta terça-feira do painel “Energia Eólica – Potencial Global e Oportunidades”, no Fórum Global de Energias Renováveis, em Foz do Iguaçu. “Os governos dos estados devem liderar programas de incorporação que impulsionem as energias alternativas”, disse.

Segundo Gabarain, os estados precisam traçar metas e objetivos específicos para obter sucesso nos programas. Devem constar, dentro do cronograma, objetivos quantitativos, que definam a estimativa de produção por Megawatts; e temporais, os quais possam estipular prazos aos projetos. “Devemos atribuir ainda responsabilidade às instituições privadas e ter vontade política, para atingirmos um verdadeiro grau de implementação desses programas na sociedade”, ressaltou.

O especialista designa também responsabilidade às organizações internacionais, como as Nações Unidas e o BIRD (Banco Mundial). Tais instituições, em seu ponto de vista, podem facilitar linhas de financiamento aos produtores de energias renováveis com perspectivas de retorno financeiro.

O apoio, nesse caso, se dá através de empréstimos a juros abaixo do mercado e em pacotes monetários que promovam o desenvolvimento industrial nessas nações. “Para garantirmos progresso e riqueza às comunidades precisamos, de alguma forma, integrar os investimentos em toda a região”, ressaltou.

De acordo com o analista, a produção de energia eólica poderá tornar-se uma alternativa eficaz caso os governos adotarem a política de expansão da matriz de energias renováveis na América Latina. Telmo Gabarain considera esse tipo de energia barata e acessível principalmente para pequenos produtores rurais. “A grande vantagem para os proprietários ao implantarem esse sistema são as possíveis receitas adicionais, pois a técnica é relativamente simples e acessível para os países com economia em desenvolvimento”, frisou.

Com a produção eólica, os produtores conseguiriam o autoabasteciemnto da propriedade, além de comercializar o excedente de produção para companhias de energia, o que deve gerar, conseqüentemente, uma nova fonte de renda.

Energia do esgoto interessa a africanos

Representantes de entidades governamentais e de empresas privadas que participam do Fórum Global de Energias Renováveis, que prossegue até o meio-dia de hoje no Hotel Bourbon, em Foz do Iguaçu, conheceu na terça-feira um modelo inovador de fonte de energia. É a unidade piloto de energia renovável da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar, desenvolvida em parceria com a Itaipu Binacional e com a Companhia de Energia Elétrica do Paraná (Copel), entre outros.

O protótipo “Estação de Tratamento de Esgoto Ouro Verde de Energia Renovável”, localizado na Vila Shalon, em Foz do Iguaçu, em breve vai gerar biogás convertido a partir do tratamento do esgoto doméstico de 17.500 pessoas moradoras de bairros da região, como Porto Meira e Morenitas. A energia gerada vai abastecer o próprio sistema. Assim, além de garantir um tratamento adequado aos dejetos, a estação vai gerar a própria energia que consome e, dessa forma, economizar na conta de eletricidade. O excedente será repassado à Copel.

“Os participantes do fórum solicitaram uma visita para conhecer melhor o projeto, pois têm a intenção de estabelecer um acordo de cooperação entre seus países e o Brasil”, explicou Cícero Bley Júnior, coordenador da Plataforma Itaipu de Energias Renováveis. Além da estação de tratamento de esgoto de Foz do Iguaçu, a Plataforma Itaipu também atua em outros cinco projetos que aliam a obtenção de biogás ao saneamento ambiental.

Apesar de ainda faltar alguns equipamentos para a estação poder funcionar plenamente, os visitantes – a maioria proveniente da África – puderam ter uma boa noção da dinâmica da unidade. Após assistirem a um vídeo institucional da Sanepar, eles conheceram os equipamentos básicos da estação. Entre eles, o sistema de entrada e recebimento do esgoto bruto; o sistema de desaneração (onde acontece a separação das partículas mais densas); o reator do manto de lodo e fluxo ascendente (onde há a remoção de sedimentos e de parte da matéria orgânica); o armazenamento do gás metano (em compartimentos de lona); e o motor de combustão interna.

esultado: ficaram maravilhados. “Na China tive uma noção desse tipo de tecnologia, mas é a primeira vez que vejo pessoalmente”, disse Marcelina Mataveia, engenheira chefe do Departamento de Biomassa do Ministério de Energia de Moçambique. “Acredito que podemos perfeitamente usar isso em meu país. É algo limpo e futurista, que traz muitos benefícios”. Esther Mfugate, do Ministério da Agricultura da Tanzânia, apreciou o que, para ela, é uma grande novidade. “Estações de energia aproveitando material humano realmente podem trazer muitos resultados positivos”, disse.

Biocombustível, no Brasil, tem compromisso social

Quando criou o programa de biocombustível, o governo brasileiro não se voltou apenas à produção de energia, mas também ao seu viés social – o cultivo das fontes renováveis para produção de energia levaria a rincões distantes a oportunidade de trabalho e renda. A parceria entre indústria produtora de biocombustíveis e a agricultura foi tema da fala do coordenador do Programa Brasileiro de Biodiesel, Carlos Cristo, na abertura da mesa redonda “Bionergia – Potenciais e desafios na Indústria”, durante o Fórum Global de Energias Renováveis, que prossegue até o meio-dia desta quarta-feira, no Hotel Bourbon, em Foz do Iguaçu.

Para reforçar a questão social dos biocombustíveis, Cristo citou o caso da Brasil Ecodiesel, uma das maiores produtores de biodiesel do Brasil, que fechou um recente acordo de concessão de terras com o governo do Piauí. A empresa investiu em infra-estrutura, construindo casas para 700 famílias, escola para 1500 crianças, além de postos de saúde. Essas pessoas trabalham no cultivo da matéria-prima e terão garantida a titularidade da terra após dez anos de trabalho, quando termina o período de concessão das áreas para empresa.

“O projeto tem um significado social fantástico”, enfatizou Cristo. Ele acredita ser importante que as questões sociais pesem na certificação das empresas e também na valorização do produto final. “É importante mostrar à Europa sobre a preferência em importar um produto com compromisso social.”

Também para Semilda Silveira, chefe da Divisão de Estudos Climáticos e Energia da Escola de Administração e Engenharia Industrial, da Suécia, o viés social deve prevalecer em toda a escala de produção da bioenergia. “Tradicionalmente as indústrias têm se preocupado apenas com os produtos finais e não com a parte inicial da produção”, afirmou. Silveira focou sua apresentação na questão do campo, e mostrou a situação da bioenergia na Suécia.

O caso da Suécia é exemplar. De 1970 a 2005, apesar do aumento da qualidade de vida dos habitantes, foi mantido o mesmo gasto per capita de energia. “Isso significa que aumentamos a eficiência energética”, afirmou. Além disso, com exceção do setor de transportes, todos os outros utilizam predominantemente energias renováveis. Um caso único na Europa.

Na visão de Semilda, os países devem compartilhar tecnologia para melhorar a produtividade no campo. Na África Subsaariana, por exemplo, a produção é de um terço da média mundial, o que torna inviável tanto o cultivo de comida quanto o de matéria-prima para os biocombustíveis.

Cooperação tecnológica

Investimento em tecnologia aumentaria a participação das energias renováveis nas matrizes dos países. Para Pradeep Monga, chefe da Unidade de Energia Renovável e Rural do Onudi, até 2020, com o reforço tecnológico será possível que as fontes renováveis tenham uma participação de 30 a 40% na matriz energética mundial.

Segundo ele, a maior parte da energia consumida pelo setor industrial é utilizada para processos de aquecimento (com nos setores têxteis e de celulose) - 80% em processos que dependem de meros 80ºC de aquecimento. “Essa energia poderia ser suprida pela fonte solar. O restante pode utilizar a biomassa”, disse.

A cooperação entre os países permitiria um avanço na produção de bioenergia, acredita Arnaldo Walter, no Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Energéticas (Nipe), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Com a cooperação Norte-Sul há difusão de conhecimento, permitindo que os países pobres passem a produzir energia e se desenvolver e não meramente fornecerem matéria-prima.

Fonte: Itaipu Binacional

terça-feira, 20 de maio de 2008

Hidrelétricas são prioridade, diz Altino Ventura

O secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, afirmou neste domingo (18), durante a abertura do Fórum Global de Energias Renováveis, que o Brasil vive um momento único no setor de energia. Ele avaliou como confortável a posição brasileira no cenário energético mundial e defendeu a construção de novas usinas hidrelétricas como prioridade para o País.

De acordo com Altino Ventura Filho, o Brasil se consolida como uma das poucas nações a chegar próximo da autonomia energética, ao mesmo tempo em que não precisa se preocupar com novas crises no setor elétrico em um horizonte próximo e fortalece a sua posição de modelo para a exploração de recursos de origem renováveis em escala planetária. Posição aparentemente tranqüila que, segundo o secretário, nem de longe significa conformismo.

Para ele, são necessários mais investimentos no setor, a começar por uma fonte que, apesar de fornecer mais de 90% da energia elétrica consumida no País, não utiliza nem metade da sua possibilidade de exploração em território brasileiro. “O Brasil aproveita um pouco menos de um terço do seu potencial hidrelétrico e, portanto, tem amplas chances de desenvolver a longo prazo essa fonte. E essa é nossa prioridade”, afirmou.

Mas o secretário também não desvia o foco de outras fontes renováveis de energia, que, segundo ele, podem ser extraídas aproveitando características geográficas favoráveis do Brasil. “Há possibilidades muito amplas, como o bagaço de cana, resultante da indústria do açúcar e do álcool, que já faz com que a biomassa seja uma das origens mais importantes para o País, já superando a hidreletricidade no nosso balanço energético total”, avaliou. Atualmente, o Brasil tem 46% da sua energia provida de fontes renováveis (hidráulica, eólica, solar e biomassa). A média mundial é de 13%. Índices que, de acordo com o secretário, devem crescer.

“Somos pioneiros no programa do álcool como combustível, que é um sucesso, e agora estamos entrando no biodiesel, que também deverá ter êxito a médio e longo prazo”, estimou. O fórum em Foz do Iguaçu, que conta com a presença de representantes de mais de 50 países, permitirá, segundo Ventura, uma grande troca de experiências para levantar as opções que se apresentam como as mais favoráveis ao aproveitamento das fontes renováveis. “Nesse contexto, o Brasil tem hoje uma liderança reconhecida internacionalmente”, destacou.

Aneel aprova projeto de geração distribuída

O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Samek, anunciou terça-feira(20/5), no Fórum Global de Energias Renováveis, em Foz do Iguaçu, que recebeu do diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, Jerson Kelman, a garantia de que o órgão federal vai aprovar o projeto de Geração Distribuída (produção de energia junto à unidade consumidora), modalidade que foi implantada e testada pela empresa em parceria com a Companhia Paranaense de Energia (Copel), na região Oeste do Paraná. “O trâmite do projeto na Aneel já caminhou 99%, faltando apenas algumas formalidades burocráticas que serão concluídas dentro de 15 dias”, comemorou Samek, que recebeu a notícia de Kelman ontem, por telefone.

A Geração Distribuída é a modalidade de produção de energia que viabiliza a adoção de pequenas unidades geradoras, baseadas em fontes renováveis. Apesar de haver um marco regulatório para o tema (Decreto Federal 5.163, de 2004, e Norma Técnica 167 da Aneel, de 2005) faltavam estudos que estabelecessem parâmetros operacionais. Por isso, a Itaipu e a Copel se uniram para viabilizar esse tipo de geração em uma granja de suínos localizada em São Miguel do Iguaçu. A partir do referendo da Aneel, as empresas do setor elétrico poderão comprar a energia produzida em propriedades como essa.

Nessa propriedade, os dejetos de 3 mil suínos são acumulados em um biodigestor, onde geram biogás, que é utilizado para movimentar um motogerador que abastece toda a infra-estrutura, inclusive um conjunto de residências. A energia excedente (em uma semana de testes foram gerados 380 megawatts/hora de sobra) é incorporada à rede pública graças a um painel fornecido pela Woodward e aprimorado pela Copel, que permite controlar o fluxo da eletricidade entre as redes interna e externa. “O principal aspecto não é o energético, mas o econômico, pois além da economia na conta de luz, o produtor rural passará a ter uma nova fonte de renda. Além disso, essa modalidade tem grande potencial para fomentar a economia local, com a aquisição de produtos e serviços”, acrescenta Samek.

A partir dessa experiência, a Itaipu implantou, com outros parceiros, outras unidades do gênero, como a Estação de Tratamento de Esgoto Ouro Verde, com a Sanepar, onde os resíduos do tratamento geram energia, combinados com a instalação de painéis fotovoltáicos, para produção de energia solar. Também são parceiros a Cooperativa Lar e a empresa Star Milk, ambas com projetos de geração energética a partir da biomassa residual da atividade agropecuária.

A principal vantagem do uso de biodigestores para a produção de energia é ambiental, já que o processo reduz em 80% as cargas orgânicas dos efluentes. E o processo tem como subproduto o biofertilizante, para ser usado na agricultura. “Um dos grandes vilões do aquecimento global é o gás metano (CH4), decorrente dos dejetos da pecuária e também do esgoto urbano”, explica Samek. “Estamos mostrando as inúmeras possibilidades que temos de produzir energia limpa, provando que é possível compatibilizar crescimento econômico, geração de emprego e renda e preservação ambiental”.

Fonte: Itaipu Binacional

Fotos Luis Henrique Silveira





Um quarto da população não tem energia


Um quarto da população mundial (cerca de 1,6 bilhão de pessoas) não tem acesso à energia elétrica e outros 2,4 bilhões de pessoas utilizam a energia de forma precária. Baseadas nesse panorama, autoridades e especialistas de vários países participaram na manhã de segunda-feira (19/5) da conferência “Tendências para a Energia no Cenário Global”, durante o Fórum Global de Energias Renováveis, em Foz do Iguaçu. A conferência foi moderada pelo secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas Energias, Altino Ventura Filho.

Segundo o secretário do MME, o Brasil já tem garantida a auto-suficiência de energia até 2030, visto a riqueza e a variedade de fontes energéticas. Grande parte dessa auto-suficiência é proporcionada pelas fontes renováveis, que correspondem a 46% da matriz energética brasileira. Em sua apresentação, Altino Ventura Filho mostrou um histórico da participação das fontes renováveis na agenda energética brasileira, desde o Proáalcool, na década de 70, ao atual Programa de Biodiesel.

“A produção de biodiesel não acarreta em problema à produção de alimentos”, frisou. “O aumento do custo de produção de alimentos ocorre pela alta do preço do petróleo.” Ele informou que a experiência brasileira com os biocombustíveis está disponível aos outros países.

Para Dimitri Piskounov, diretor do Programa de Desenvolvimento e Divisão de Cooperação Técnica da Organização das Nações Unidas para Desenvolvimento Industrial (Onudi), a falta de alimentos tem outras causas, entre elas o desperdício pós-colheita. Em países subdesenvolvidos, 50% dos alimentos são perdidos devido à falta de infra-estrutura de transporte e de armazenamento.

Diante do número elevado de pessoas que não são beneficiadas com o fornecimento de energia elétrica – 80% delas vivendo na zona rural de países pobres –, Dimitri acredita que as fontes renováveis têm o importante papel de prover energia a essas pessoas. “A prioridade é fornecer energia para o setor produtivo e acelerar a redução da pobreza”, afirmou.

O panorama das diferentes energias renováveis na América Latina e Caribe foi tema da fala de Carlos Arturo Flórez Piedrahita, secretário-executivo da Organização Latino-Americana de Energia (Olade). De acordo com ele, o potencial energético da região é muito grande, mas pouco aproveitado: dos quase 660 mil MW de potencial hidrelétrico, por exemplo, apenas 21% se convertem de fato em energia. Até 2018, empurrada pelo setor industrial, a demanda de energia vai crescer 78%, informou Piedrahita. Em paralelo, a participação do petróleo na matriz energética da região vai ser reduzida em 42%, aumentando a importância de fontes como gás natural, biocombustíveis e hidroeletricidade. “O incremento da participação das hidrelétricas vai depender da integração dos países”, avisou.

A participação da hidroeletricidade tem um grande papel no panorama atual e futuro, acredita Thomas Stelzer, subsecretário-geral para políticas de coordenação e assuntos inter-agências do Departamento Econômico e Social da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo ele, um quinto da energia mundial é produzida por hidrelétricas espalhadas por 140 países. “Desde a década de 90 tem-se construído hidrelétricas menores. O principal objetivo é minimizar o impacto social e ambiental”.

A energia eólica foi tema da apresentação do presidente da Associação Mundial de Energia Eólica, Anil Kane. Segundo ele, a crescente demanda mundial por energia tem feito a fonte eólica cada vez mais desejável. Ele comparou a energia eólica com a nuclear e a fóssil, destacando o custo de produção muito mais baixo da primeira.

Kane informou que no contexto mundial 61% da energia eólica é produzida na Europa. Mas a América do Sul tem grande potencial para o uso desta fonte alternativa. “Brasil e Argentina são abençoados pela natureza. Num futuro próximo, esses países poderão produzir energia sem derramar uma única gota de óleo”, disse.

Problemas específicos como o caso das pequenas ilhas também foram tratados durante a conferência. O presidente da Aliança dos Estados das Ilhas Pequenas (Aosis), Angus Friday, destacou o papel das mudanças climáticas na definição de uma nova matriz energética mundial. “As mudanças climáticas são o asteróide que pode destruir o mundo”, enfatizou Friday. Ele lembrou o ano de 2004, quando Granada foi atingida pelo Furacão Ivan – 19% das casas, 80% da agricultura e 70% dos barcos foram destruídos. “Os países podem entender o que significa uma devastação desta magnitude?” Para ele, os biocombustíveis têm importante papel para mitigar os impactos do aquecimento global.

As palestras da manhã foram encerradas por Christine Lins, secretária-geral do Conselho Europeu de Energias Renováveis, que apresentou o panorama da Europa. Segundo ela, a energia renovável deve se basear no tripé competitividade, segurança de fornecimento e sustentabilidade.

“A Europa acredita que as fontes renováveis são as fontes do futuro”, afirmou. O compromisso europeu é que até 2020, 20% das fontes de energia da Europa sejam renováveis. Para isso, informou Christine, será feito um investimento de 443 bilhões de euros até essa data.

Fonte Itaipu Binacional



Diretor-geral da Onudi afirma que o país é modelo


O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), Kandeh Yumkella, vê o Fórum Global de Energias Renováveis como uma oportunidade de replicar exemplos bem sucedidos na obtenção de energia limpa – sobretudo os brasileiros – em outros países. “Aqui vemos exemplos práticos, e não apenas teóricos, da utilização de fontes renováveis de energia. Por isso, considero este o lugar certo para discutirmos esse tema”, disse o diretor-geral da Onudi na abertura oficial do encontro, realizada domingo à noite, no Hotel Bourbon Cataratas, em Foz do Iguaçu.

Yumkella destacou o fato de poder conhecer e levar a outros países “visões de líderes, como as que produziram Itaipu.” “Atualmente, milhões de pessoas não têm acesso à eletricidade, principalmente na África. E não podemos falar de desenvolvimento industrial sem crescimento energético. Por isso esse tema é tão importante”, afirmou o diretor.

“Vemos, no Brasil, experiências que são exemplos para o resto do mundo. Elas mostram que o desenvolvimento das tecnologias para obtenção de energia renovável é perfeitamente possível”, analisou.

Yumkella é partidário da posição brasileira na “cruzada” em favor dos biocombustíveis. Ele considera que a alta no preço dos alimentos se deve ao aumento do preço do petróleo, visão defendida também pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Para Yumkella, não é coincidência que os países mais pobres do mundo sejam também os que tenham menos acesso à eletricidade.

Mas o diretor-geral da Onudi é também um otimista. “Ouço sempre as mesmas perguntas no mundo todo. Uma delas é: como tornar a bioenergia acessível? O que podemos fazer? Acredito que podemos fazer a diferença.”

Mais de 50 países no Fórum de Energias Renováveis

Foi aberto domingo (18/5) à noite, em Foz do Iguaçu, o Fórum Global de Energias Renováveis, que reuni cerca de 1.200 participantes de mais de 50 países. Os representantes estrangeiros vieram ao Brasil não só para discutir o futuro energético do planeta, mas também para conhecer a experiência bem-sucedida que o país desenvolveu no campo das energias renováveis, especialmente a hidreletricidade e os biocombustíveis.


“O Brasil tem uma posição de destaque no cenário internacional, em função da participação em larga escala de fontes limpas na matriz energética nacional”, afirma Jorge Samek, diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, uma das organizadoras do evento, juntamente com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), o Ministério de Minas e Energia e a Eletrobrás.

“O Brasil tem um potencial ilimitado para o desenvolvimento de energias renováveis, por conta de suas características relacionadas ao clima, geografia, biodiversidade, recursos naturais e o setor agropecuário”, diz Samek.

Atualmente, 79% da produção brasileira de energia elétrica provêm de fontes renováveis, contra 23,4% da média mundial. Em relação à energia primária nacional (elétrica + combustíveis), 55% provêm de fontes renováveis, enquanto no mundo a participação é de apenas 13%. Pesa nessa comparação a enorme produção e o conhecimento acumulado sobre o álcool combustível no Brasil, fruto de pesquisas iniciadas na década de 1970.

Em função dessas experiências, existe a expectativa de que o Fórum Global de Energias Renováveis também sirva para aumentar o intercâmbio comercial entre o Brasil e outros países, no campo das energias. “A questão ambiental, especialmente o aquecimento global, impõe a necessidade de desenvolvimento de fontes limpas e a demanda por energia na sociedade é crescente. Por isso, o país tem muito a ensinar, haja vista a experiência de Itaipu, a maior unidade produtora de energia renovável no mundo”, acrescenta Samek.

O evento

O Fórum Global foi aberto domingo, às 18h30, no Hotel Bourbon Cataratas. A abertura contou com a presença do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, do diretor-geral da Onudi, Kandeh Yumkella, do presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopez, e dos diretores-gerais da Itaipu Binacional, Jorge Samek (Brasil) e Ramón Roa (Paraguai).

Biocombustíveis serão foco do Fórum, diz ministro

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, tratou de ir direto ao assunto principal. “Esta reunião vai tratar preponderantemente dos biocombustíveis. Este será o tema central”, ressaltou o ministro. Ele atacou as críticas feitas ao desenvolvimento dos biocombustíveis como opção para todo o mundo, proposto pelo Brasil, e destacou o papel do País como modelo de país explorador de energia renovável. De fato, enquanto 46% da energia utilizada no Brasil provém desse tipo de fonte, a média planetária é de 13%.

Entre os dias 19 e 21, os participantes debaterão temas como as tendências para a energia no cenário mundial, a relação entre mudanças climáticas e as fontes de energia, condições de mercado para as energias renováveis, o papel das hidrelétricas (grandes e pequenas) e de outras fontes limpas como solar, biomassa, eólica e hidrogênio. O evento termina com uma visita à usina de Itaipu.

Coube à Onudi e à Eletrobrás – e empresas do sistema (Itaipu, Furnas, Eletrosul, Chesf, Eletronorte, CGTEE, Eletronuclear e Cepel) – coordenar a logística e a organização do evento.

Experiências

Os participantes do evento também terão a oportunidade de conhecer de perto unidades de demonstração de fontes energéticas limpas que a Itaipu e diversas instituições parceiras implantaram na região Oeste do Paraná, como parte da Plataforma Itaipu de Energias Renováveis. É o caso da Granja Colombari, em São Miguel do Iguaçu, que utiliza dejetos da suinocultura para gerar biogás e transformá-lo em energia; a Fazenda Iguaçu, da Star Milk, em Vera Cruz do Oeste, que utiliza biogás e biodiesel próprios; e a Estação de Tratamento Ouro Verde, da Sanepar, que conta com geração híbrida (biogás aliado a painéis solares); entre outras.


“Com esses projetos, a Itaipu demonstra que a hidreletricidade pode gerar ainda mais benefícios para a sociedade, ajudando a promover o desenvolvimento de outras energias renováveis”, afirma Samek.



Fonte: Itaipu